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Os novos standards Wi-Fi em ambiente empresarial

A introdução dos standards Wi-Fi 802.11 ax e 802.11 be genericamente designados por Wi-Fi 6, Wi-Fi 6E e Wi-Fi 7 traz um impacto considerável no projecto, desenho e concepção de redes cabo de pares de cobre para distribuição Ethernet aos utilizadores em edifícios de escritório.

A partir do standard Wi-Fi 5 ou 802,11 ac a utilização das redes Wi-Fi enquanto meio principal de conectividade em ambiente empresarial começou a vulgarizar-se.

Numa série de artigos iremos analisar o que prevemos ser a evolução natural da conectividade dos utilizadores em ambiente empresarial.

O futuro das redes corporativas

Neste primeiro artigo, daremos uma visão geral da crescente importância das redes Wi-Fi em ambientes corporativos. Nas próximas publicações, aprofundaremos a análise técnica e comparativa entre o Wi-Fi e as tradicionais redes cabeadas.

Abordaremos os seguintes tópicos:

  • Evolução Tecnológica: Compararemos a evolução do Wi-Fi com as redes cabeadas, analisando as últimas tecnologias e as perspectivas para os próximos cinco anos.
  • Custos: Faremos uma análise detalhada dos custos envolvidos em cada tipo de rede, considerando tanto o investimento inicial quanto os custos operacionais.
  • Experiência do Usuário: Avaliaremos o impacto de cada tecnologia na experiência do usuário, incluindo fatores como velocidade, estabilidade e facilidade de uso.
  • Suporte Técnico: Discutiremos as implicações para o suporte técnico, considerando as habilidades necessárias para gerenciar cada tipo de rede.
  • Desafios e Mudanças: Analisaremos os desafios enfrentados pelas empresas durante a transição para redes Wi-Fi, bem como as mudanças necessárias nos processos de projeto e gestão.

O estado da arte e os novos standards Wi-Fi

A crescente popularidade de smartphones e laptops, aliados à facilidade de conexão Wi-Fi, faz com que muitos utilizadores prefiram a rede sem fio, deixando de lado a rede cabeada. Esta utilização generalizada é, no entanto, limitada pelo desempenho da rede Wi-Fi e, portanto, pela experiência do utilizador.

Os novos standards Wi-Fi 6, 6E e 7 melhoram drasticamente a experiência de utilizador quer em termos de velocidade quer em termos de qualidade de ligação, sendo eminentemente práticos para trabalhadores móveis e para a atual utilização dos espaços de escritórios, em que muitos utilizadores estão normalmente em teletrabalho com regime de rotação presencial na empresa.

Com efeito a facilidade de ligação à rede sem fios e a eliminação gradual dos dispositivos telefónicos fixos que resulta da utilização generalizada de telemóveis, ou alternativamente de soft phones nos postos de trabalho bem a adopção de sistemas de colaboração e comunicação internas baseadas em software (teams, webex, WhatsApp, zoom, etc.)  concomitantemente com o desaparecimento gradual das portas de rede computadores mais recentes, nomeadamente a ausência de porta de ligação Ethernet via RJ-45 levou uma tendência de uso generalizado da rede Wi-Fi.

Muitas organizações quer pela pressão dos utilizadores quer por opção interna iniciaram um processo de migração de conectividade da rede cabeada para a rede wireless, mesmo utilizando a mais limitada tecnologia Wi-Fi 5.

Os novos standards reforçam significativamente as velocidades de ligação nas redes wireless bem como o desempenho das mesmas para múltiplos utilizadores simultâneos.

Os novos projectos e os custos envolvidos

O investimento em redes cabeadas em cobre é um investimento considerável que por isso neste momento deve ser ponderado em novos projetos de edifícios de escritórios no que refere a distribuição de rede informática para os utilizadores.

Acreditamos que no futuro muito próximo a ligação dos utilizadores a rede informática da instituição no edifício será efectuada exclusivamente via rede wireless.

Assim, ao projetar a rede de um novo edifício escritórios ou a remodelação de uma existente deve ser cuidadosamente ponderado o investimento numa rede de cabos para suporte da generalidade dos utilizadores, tanto mais que a rede wireless é, desde já, uma componente essencial da conectividade que será sempre forçosamente instalada, mesmo para edifícios em que os utilizadores ainda se encontram ligados por cabo.

O investimento numa rede de cabo de pares de cobre para distribuição de sinal rede aos utilizadores é um investimento elevado e pouco flexível efectuado numa perspectiva de manutenção dessa rede por um período superior a 10 anos. Uma rede de cabos em zonas onde há um número considerável de utilizadores implica uma infra-estrutura de cabos de cobre distribuídos a cada um dos utilizadores concentrados em salas técnicas com painéis de patching e Switches que disponibilizarão uma porta RJ 45 por cada utilizador.

Uma rede wireless em contrapartida implica ou muito menor número de cabos de cobre espalhados pelo edifício, sendo estes apenas para suporte das ligações dos Access Point ou eventualmente impressoras embora a tendência seja também estas se ligarem por wireless.  

Surge assim uma redução considerável do número de cabos distribuídos pelo edifício. Mesmo considerando uma maior densidade de Access Points para uma cobertura correta dos espaços teremos sempre uma redução a média de mais de 20 cabos/ligações de utilizador pôr piso, uma vez que é razoável estabelecer uma razão de 25 utilizadores por ponto de acesso.  Também o número de portas de switching necessárias a ligação dos utilizadores é drasticamente reduzido senão completamente anulado.

Num edifício uma rede de cabo de pares de cobre será instalada com o horizonte de durabilidade mínimo de 10 anos. Tecnologicamente esta rede de cabos está limitada em termos de débitos, sendo à data atual de um gigabit por segundo por utilizador. Se considerarmos o investimento numa rede de categoria 6A, esta limitação irá manter-se no período de vida da rede, ou seja nos próximos 10 a 20 anos.

Comparando a evolução dos débitos dos novos sistemas wireless com a evolução dos débitos possíveis nas redes de cobre é claro que uma opção pela instalação primordial redes wireless com uma redução radical de pontos de rede em cobre em novos espaços de trabalho terá de ser uma solução a ponderar.